Amizades ausentes: quando as pessoas só ficam por perto enquanto precisam de você

 

Amizades ausentes: quando as pessoas só ficam por perto enquanto precisam de você

Você já percebeu que algumas pessoas estão sempre por perto quando precisam de alguma coisa, mas desaparecem quando é você quem precisa?

Talvez você tenha mandado uma mensagem e ficou esperando resposta. Talvez tenha percebido que aquele amigo que conversava com você todos os dias simplesmente sumiu. Ou talvez você tenha parado de procurar e descobriu uma coisa curiosa: a amizade também parou.

É estranho perceber isso.

Vivemos em uma época em que temos centenas de pessoas nas redes sociais, dezenas de contatos no celular e, mesmo assim, podemos nos sentir completamente sozinhos.

Mas será que as pessoas deixaram de valorizar a amizade?

Ou será que começamos a escolher nossas amizades pelo que elas podem nos oferecer?


Amizade sempre teve interesse?

Antes de pensar que tudo está errado hoje em dia, precisamos reconhecer uma coisa: algum interesse sempre existiu nas relações humanas.

Nós nos aproximamos de pessoas porque temos coisas em comum. Gostamos de conversar com quem pensa parecido, trabalhar com quem pode nos ajudar, sair com quem nos faz bem.

Isso faz parte da vida.

O problema começa quando a pessoa deixa de ser importante e passa a ser útil.

Enquanto ela pode oferecer alguma coisa, existe conversa, convite, atenção e proximidade.

Quando não pode mais oferecer nada, desaparece.

E talvez essa seja uma das formas mais silenciosas de descobrir quem realmente é seu amigo.

O amigo que só aparece quando precisa

Você conhece esse tipo de pessoa.

Ela manda:

“Oi, sumido! Quanto tempo!”

Mas você já sabe que vem alguma coisa depois.

Pode ser um favor, um empréstimo, uma indicação, um contato, um trabalho ou simplesmente alguma coisa que ela precisa naquele momento.

E quando consegue o que queria, volta a desaparecer.

Não existe necessariamente uma briga.

Não existe uma discussão.

A pessoa simplesmente vai embora.

Até precisar novamente.

Isso é amizade?

Talvez não.

Mas também não significa que toda relação baseada em troca seja falsa.

Nós também fazemos isso


Essa parte talvez seja mais difícil de admitir.

Às vezes reclamamos que as pessoas são interesseiras, mas também escolhemos nossas companhias pensando no que aquela relação nos proporciona.

Procuramos pessoas que nos fazem rir.

Pessoas que podem nos abrir portas.                                     

Pessoas que têm os mesmos interesses.

Pessoas que podem nos ensinar alguma coisa.

Pessoas que possuem uma vida parecida com a nossa.

E não há nada de errado nisso.

O ser humano é social. Nós nos aproximamos por afinidade, necessidade, admiração e interesses em comum.

O problema não está em ter interesses em uma amizade.

O problema está em ter somente interesses.

Até onde isso passa do limite?

Talvez o limite seja simples.

Quando você deixa de procurar alguém porque não precisa mais daquela pessoa, existe um problema.

Quando você só lembra de um amigo quando precisa de alguma coisa, existe um problema.

Quando você mantém alguém por perto apenas porque essa pessoa pode ser útil no futuro, existe um problema.

Porque amizade não deveria funcionar como uma reserva de contatos.

Amigo não é investimento.

Não é cartão de visita.

Não é alguém que você mantém na sua vida esperando descobrir quando poderá precisar dele.

E talvez seja por isso que existam tantas amizades ausentes

As pessoas continuam conectadas, mas cada vez menos presentes.

Visualizam nossas fotos.

Curtem nossas publicações.

Respondem com um emoji.

Sabem onde estivemos, o que comemos e o que estamos fazendo.

Mas não sabem como realmente estamos.

Temos contato, mas não temos presença.

Temos seguidores, mas nem sempre temos companhia.

Temos conversas, mas poucas pessoas com quem podemos realmente contar.

E talvez a verdadeira amizade esteja justamente aí.

Não na quantidade de mensagens.

Não na frequência dos encontros.

Não no número de curtidas.

Mas naquela pessoa que, mesmo sem ganhar nada com isso, pergunta:

“Você está bem?”

E realmente espera pela resposta.

Porque no fim, talvez amizade não seja sobre quem está sempre ao nosso lado.

Talvez seja sobre quem não desaparece quando deixa de precisar de nós.





Comentários